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terça-feira, 09 junho 2015 18:45

Endoscopia digestiva alta para todos?

Endoscopia digestiva alta em idade pediátrica

O papel da avaliação endoscópica no diagnóstico de Doença Inflamatória Intestinal é um dos temas-chave na Semana Digestiva 2015, com diversas conferências que procuram diferentes abordagens sobre esta temática.

A endoscopia como uma ferramenta ao serviço do diagnóstico em pediatria esteve em debate no dia 10 de junho, primeiro dia de Congresso, e integrado no Curso Pós-Graduado “Endoscopia na Doença Inflamatória Intestinal – Novos Desafios”.

A Dr.ª Eunice Trindade, gastrenterologista pediátrica, lembra que a DII em idade pediátrica “se reveste de algumas particularidades podendo apresentar-se à data do diagnóstico sob a forma de fenótipos atípicos tornando por vezes difícil o diagnóstico diferencial entre colite ulcerosa e doença de Crohn”.

E acrescenta: “Vários estudos pediátricos demonstraram que a ocorrência de sintomatologia digestiva alta surge em menos de 10% dos doentes com alterações endoscópicas”.

O esclarecimento do diagnóstico definitivo através da realização de EDA com biopsias foi amplamente discutido, tendo por base os dados do EUROKIDS - base de dados europeia de registo prospetivo de crianças com diagnóstico de DII - que demonstra que 35% dos doentes com doença de Crohn tinham anomalias macroscópicas na EDA e que estas alterações eram específicas da doença de Crohn (lesões aftoides, ulcerações, cobblestoning, estenose).

A especialista, que defende a endoscopia digestiva alta em idade pediátrica, recorda os estudos mais recentes realizados nesta população, que sugerem que “crianças com atingimento do tubo digestivo superior ao diagnóstico têm doença mais severa e necessitam intervenção de terapêutica mais agressiva”.