O Prof. Associado do Departamento de Medicina Interna, do Serviço de Gastroenterologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)/ Santa Casa de Porto Alegre, lembra que “a rápida expansão da colecistectomia laparoscópica nas últimas duas décadas multiplicou em muito o número de CPERs (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) realizadas com o intuito de abordar a via biliar principal por endoscopia, com o objetivo de preservar o ideal da cirurgia minimamente invasiva, uma vez que a abordagem laparoscópica da coledocolitíase é trabalhosa e pouco disponível”.
O também presidente da Sociedade Panamericana de Endoscopia Digestiva (SIED), e um dos intervenientes da conferência intitulada “Endoscopia das Vias Biliares: Qual o Futuro?”, que decorreu no dia 11 de Junho, defende que “a colangioscopia com imagens em alta definição, aliada ao uso de laser com capacidade de distinguir tecido humano de não-humano será o caminho preferencial para a destruição desses cálculos”.

No que respeita ao tratamento de estenoses benignas, pós colecistectomia ou pós-transplante, “o caminho será o desenvolvimento de novas próteses auto-expansíveis (provavelmente bio-absorvíveis)”, refere o especialista.

O futuro no tratamento destas doenças tem sido fortemente discutido. Segundo defende o Prof. Doutor Júlio Pereira Lima, “nas estenoses malignas por colangiocarcinoma, o estado da arte de 2015 sugere a colocação de próteses metálicas descobertas. O futuro aponta para tratamento local desses tumores como já existe para o hepatocarcinoma (ablação por radiofrequência alcoolização, quimio-embolização). A radiofrequência já tem sido avaliada; a braquiterapia endoluminal ou a colocação local de drogas também é uma possibilidade futurística”.
Já em relação ao cancro do pâncreas, o presente e o futuro da endoscopia biliar “apontam para a colocação de stents. Outra técnica endoscópica, a ecoendoscopia, já desenvolve técnicas de diagnóstico mais preciso e tratamento local desses tumores”, sublinha.
