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quinta-feira, 11 junho 2015 17:49

Um Congresso atual com a visão do futuro!

Entrevista ao Dr. José Cotter, presidente da Comissão Organizadora da Semana Digestiva 2015

A Semana Digestiva 2015 conta com um programa “atrativo, abrangente, atual e com pontos de originalidade”. Estas características foram, segundo o Dr. José Cotter, “a principal aposta” da Comissão Organizadora para a edição deste ano.

No primeiro dia de Congresso, a News Farma entrevistou o gastrenterologista e presidente da Comissão Organizadora. Leia a entrevista na íntegra.

Quais as linhas orientadoras do programa científico da Semana Digestiva 2015?

Dr. José Cotter (JC) | A Semana Digestiva – um conceito criado, há uns anos, pela Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED) e a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) – é o principal evento da especialidade, que reúne toda a comunidade gastrenterológica nacional. A Comissão Organizadora, este ano, procurou organizar um programa atrativo, abrangente, atual e com pontos de originalidade. O programa científico tentou, por isso, satisfazer os anseios e os grupos de interesse dentro da própria Gastrenterologia, ao contemplar aspetos técnicos, como, por exemplo, aqueles que estão ligados à Endoscopia digestiva e à ultrassonografia. Porém, serão focadas outras áreas, nomeadamente, a transplantação hepática e a vertente oncológica.

Qual o feedback relativamente ao número de participantes desta edição?

JC | O número de trabalhos submetidos, que este ano ultrapassou os 540, é um sinal do grande entusiasmo da Semana Digestiva 2015. Trata-se de recorde de todas as edições até hoje.

Este número de trabalhos é um sinal do dinamismo da Gastrenterologia portuguesa?

JC | Este número de trabalhos submetidos demonstra a pujança da Gastrenterologia portuguesa e revela a “efervescência” da investigação nesta especialidade.

Há uma intenção de atrair outros públicos?

JC | Sim, porque procuramos juntar, na Semana Digestiva, todos aqueles que, de alguma maneira, se relacionam ou têm interesse (direta ou indiretamente) na área da Gastrenterologia.

Esta edição da Semana Digestiva tem uma sessão que antecipa o futuro da Endoscopia em 2035. Este formato procura colocar em perspetiva os novos avanços nesta área?

JC | Este programa científico contém uma vertente futurista, que culmina com a tentativa de prever e antecipar o que se passará, dentro de alguns anos, na Endoscopia Digestiva. Foi um desafio que decidimos lançar e, por esse motivo, também convidámos três peritos estrangeiros (um médico americano, um brasileiro e um grego, mas que reside na Escócia) que irão revelar as suas perspetivas sobre o tema.

Em que consistem as duas sessões “Vozes da Razão”? É um modelo inédito?

JC | Em 2012, tivemos um painel semelhante, mas este ano duplicamos as sessões. Estes painéis procuram debater temas isolados, mas de alguma controvérsia, em áreas que apresentam novidades no panorama científico.

Este ano e à semelhança de anos anteriores, a Reunião conta com a participação de vários palestrantes internacionais, um dos quais é o presidente da Organização Mundial de Gastrenterologia (WGO). Esta participação denota a proximidade e as boas relações entre os especialistas portugueses e estrangeiros?

JC | Esta participação de colegas de outros países acaba por ser o reconhecimento da capacidade científica portuguesa nesta área. Não nos podemos esquecer que também temos gastrenterologistas portugueses que ocupam lugares de destaque em estruturas internacionais.

Qual a sua opinião sobre o panorama da Gastrenterologia em Portugal, comparativamente a outros países?

JC | Em Portugal temos cerca de 400 gastrenterologistas, que é um rácio razoável para a nossa realidade. Ainda assim, sabemos que há um problema de centralismo, ou seja, não há uma distribuição uniforme dos especialistas pelo país. Em termos de qualidade, não há dúvidas de que os profissionais portugueses são de excelente qualidade.

Na área assistencial, onde é que se pode melhorar a prestação de cuidados?

JC | Citando, por exemplo, a área da Hepatologia, diria que o campo da transplantação está bem dimensionado para a realidade do país. Pode haver alguns problemas inerentes, em termos de colheitas, mas os centros que existem são suficientes e, quando bem-aproveitados, conseguem suprir as necessidades. No que respeita à Hepatologia, estamos numa fase de expansão porque foram acreditados pela Ordem dos Médicos os centros formadores da subespecialidade. Espera-se que, além dos 110 hepatologistas já existentes, ou seja, gastrenterologistas com subespecialidade em Hepatologia, mais se possam somar, após a formação nestes centros acreditados pela Ordem dos Médicos.

Quantos centros é que foram acreditados?

JC | Foram acreditados seis centros com idoneidade total e mais dois centros com idoneidade parcial. É um número que permitirá formar mais hepatologistas, embora os gastrenterologistas tenham de base, na sua formação, um tempo longo de formação em Hepatologia.

E na área oncológica, que melhorias houve?

JC | O gastrenterologista tem um papel importante nesta área, não só no diagnóstico precoce e no rastreio, mas também no campo terapêutico. Não nos podemos esquecer que cinco dos principais cancros com maior mortalidade no nosso país pertencem ao campo da Gastrenterologia: esófago e estômago, colorretal, fígado e pâncreas. Tem sido implementada a participação dos gastrenterologistas nas consultas de grupo oncológicas dos diferentes hospitais, com benefícios óbvios. Esta será uma das preocupações da próxima direção da SPG, que pretende dedicar uma maior atenção à área da Oncologia digestiva e gastrenterológica.