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quinta-feira, 11 junho 2015 13:09

Síndrome do Intestino Irritável

Abordagem Terapêutica na Síndrome do Intestino Irritável

"A prevalência da síndrome do intestino irritável (SII) ronda os 10 a 15 por cento sendo causa frequente de consultas, principalmente ao nível dos cuidados de saúde primários. Não sendo uma doença que exija recursos diagnósticos e terapêuticos elevados, é responsável por custos económicos elevados".

As palavras são do Dr. Paulo Souto, consultor de Gastrenterologia, sobre a abordagem terapêutica na SII, tema que abriu o segundo dia da Semana Digestiva 2015.

Embora benigna, e uma vez que não implica a existência de lesão, mas condicionante da qualidade de vida do doente face ao incómodo causado, o especialista defende que a abordagem deve ser “centrada na relação médico-doente, eficiente, proativa e explicativa”.

“Na prática, o tratamento é orientado pelos sintomas dominantes. Assim, também o diagnóstico pela positiva ajuda a esclarecer, aliviar sintomas e desmistificar receios. Devem ser excluídos sinais de alarme. Alteração do estilo de vida, incentivo ao exercício físico, alterações dietéticas e hidratação são algumas das medidas a aconselhar”, explica o Dr. Paulo Souto.

Por forma a reduzir as queixas dolorosas, da terapêutica fazem parte “a utilização de relaxantes do músculo liso (mebeverina, pinavério, otilónio, trimebutina, hioscina ou óleo de hortelã-pimenta)”. Ainda neste campo, o Dr. Paulo Souto descreve os dois cenários: “Quando a diarreia é um sintoma importante a utilização de loperamida pode ser útil, quer em SOS, quer preventivamente; Na presença de obstipação, o recurso a fibras (solúveis) e laxantes osmóticos (macrogol) pode reduzir alguns dos sintomas”. A acrescentar também “os antidepressivos em doses baixas são usados pela sua ação antinocetiva”.

Na SII, a terapêutica tem sido bastante estudada, assim como a abordagem multidisciplinar. Segundo o Dr. Paulo Souto, “agentes como a rifaximina ou a mesalazina estão a ser avaliados, mas a eficácia dos probióticos tem sido questionada, podendo ser usados de modo complementar, tal como as terapias psicológicas e comportamentais”.