sexta-feira, 12 junho 2015 15:44

Recomendações em Endoscopia: Novidades? Podemos aplicar?

Paliação do carcinoma colorretal

Em 1990 um cirurgião alemão, Dohmoto, implantou uma prótese esofágica num carcinoma retal em obstrução com sucesso na descompressão, abrindo caminho a uma nova era na endoscopia e iniciando a controvérsia.

Este é um dos temas do debate "Recomendações em Endoscopia: Novidades? Podemos Aplicar?", que aconteceu no dia 12 de junho. O tema Paliação do Carcinoma Colorretal esteve a cargo do Prof. Doutor Jorge Canena.

"Em doentes com neoplasia colorretal a oclusão intestinal pode acontecer em 10-30% dos casos. A ressecção cirúrgica não aumenta a sobrevida e a mortalidade operatória pode atingir os 10%. A colostomia criada na cirurgia descompressiva é definitiva em 50% dos casos, com impacto negativo na qualidade de vida”, refere.

No que respeita ao uso de próteses metálicas auto-expansíveis (PMAE) na obstrução maligna do cólon, estas “podem ser consideradas como ponte para a cirurgia ou na paliação definitiva”. No entanto, também esta questão é controversa. De acordo com o prof. Doutor Jorge Canena, existem três estudos randomizados (PMAE vs cirurgia), com resultados controversos na paliação definitiva. “Dois favoráveis às PMAE e um desfavorável, tendo sido encerrado precocemente devido a um elevado número de perfurações”. Entre as críticas a este estudo, diz, está a inclusão de endoscopistas com baixa experiência neste nestes procedimentos que vários autores sugerem “ser um fator de risco independente para complicações, nomeadamente perfurações”.

Nas palavras do Prof. Doutor Jorge Canena, “vários estudos observacionais, prospetivos ou retrospetivos sugerem que cerca de 75% dos doentes podem ser paliados até à morte sem necessidade de intervenção adicional e que esses valores podem ser aumentados em 10% se considerarmos que doentes que desenvolvam nova oclusão podem ser retratados com nova PMAE”.

No que respeita à terapêutica, “os doentes considerados para tratamento com um agente anti-angiogénico, nomeadamente o bevacizumab não são candidatos à colocação de PMAE, dado que o bevacizumab aumenta o risco de perfuração 3-5 vezes no cenário de paliação com PMAE para além de aumentar o risco de perfuração em doentes sem próteses. Adicionalmente alguns artigos sugerem que PMAE colocadas no cólon direito e transverso apresentam sucesso clínico e técnico semelhante às que são colocadas no cólon esquerdo e doentes com compressões extrínsecas malignas não são os melhores candidatos a PMAE devido à menor taxa de sucesso técnico e clínico”.

Resumidamente, o especialista refere que “as recomendações recentes da ESGE são que as PMAE são a melhor forma de paliação em doentes com obstrução maligna do cólon e que não são candidatos nem a cirurgia nem a tratamento com bevacizumab”.