Este ano, estão a promover mais um evento ligado à especialidade gastrenterologia: a Semana Digestiva 2015. De que forma este tipo de ações beneficia o profissional e o utente?
Essencialmente pelo facto de promover a atualização e a troca de experiências entre os diferentes profissionais, associado à apresentação de resultados de diferentes estudos, projetos de investigação e protocolos levados a cabo pelos diferentes centros, traduzindo-se numa atualização que em última instância se repercute na melhoria dos cuidados prestados pelos profissionais junto dos doentes.
Este é o principal evento nacional da área. Por quê?
Poderemos considerar a Semana Digestiva como o maior evento anual da especialidade, com um caratér ecuménico dentro da especialidade, englobando as diferentes áreas de interesse a que a gastrenterologia se dedica por excelência, como sejam o tubo digestivo, fígado, vias biliares, pâncreas, endoscopia digestiva, além de algumas outras áreas de interesse mais específicas relacionadas com determinadas patologias ou técnicas de imagem e terapêutica.
Quais serão os pontos altos do evento?
Na globalidade, todo o programa se revela muito interessante e aliciante, abrangendo as diferentes áreas de interesse, mas poderei destacar além do Curso Pós-Graduado, as temáticas da qualidade e treino em endoscopia digestiva e da sua importância, os novos tratamentos no síndroma do intestino irritável, o estado da arte do rastreio do cancro digestivo, a previsão sobre o futuro da endoscopia, além dos desafios na doença hepática auto-imune e na doença celíaca. Simultaneamente, as diferentes comunicações relativas aos trabalhos dos gastrenterologistas de todo o país, são um ponto essencial e importantíssimo em todo o evento.
Qual o principal objetivo a apontar para a organização da Semana Digestiva 2015?
Além de tudo o que atrás foi referido, mostrar que a gastrenterologia em Portugal é uma especialidade cientificamente muito forte, englobando profissionais de elevadíssima qualidade, integrados em sociedades cientifícas com atividade muito meritória em vários campos, com destaque para o apoio à investigação e à formação médica.
O programa conta com um Curso Pós-Graduado, a realizar-se no primeiro dia do evento. Qual é a sua importância, e o que traz de novo ao profissional da especialidade?
Aborda a relação e a importância da endoscopia digestiva na doença inflamatória intestinal, concretamente na Doença de Crohn e Colite Ulcerosa. Essa relação traduz-se por mais valias que a endoscopia traz nas vertentes diagnóstica e terapêutica na abordagem daquelas doenças, abordando também as evoluções mais recentes. O curso contará com participantes nacionais e estrangeiros prestigiados a nível mundial nestas áreas.
Querem promover e atualizar os conhecimentos e trabalhos na área da gastrenterologia. Que outras atividades concretizam, para além das formações?
Apoios no pós-graduado nas áreas de investigação e estágios, sensibilização e promoção da informação junto da população para áreas importantes como a prevenção e rastreio do cancro digestivo, hepatites víricas e outras doenças mais comuns do foro da gastrenterologia, manutenção de um site eclético e com importantes informações de saúde para o cidadão, além de promover o GE- Portuguese Journal of Gastroenterology que é a publicaçao mais importante da gastrenterologia nacional e orgão oficial das Sociedades cientificas.
A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia é uma associação científica, sem fins lucrativos e de utilidade pública. Qual é a sua missão?
Promover o desenvolvimento da gGastrenterologia ao serviço da saúde da população portuguesa; estimular a investigação no domínio da gastrenterologia; difundir ideias, promover a atualização de conhecimentos e trabalhos de gastrenterologia; promover contactos e o intercâmbio nacional e internacional entre os diversos profissionais ligados à especialidade; desenvolver atividades educacionais no domínio da gastrenterologia e, finalmente, exercer atividades de consultadoria no campo da gastrenterologia.
Quais são as lacunas ainda existentes na especialidade, e de que forma a SPG busca preenchê-la e gerar melhorias no setor?
Há sempre áreas para preencher ou para melhorar. A SPG irá investir mais e de várias formas na área da oncologia digestiva, devido à grande importância que esta representa, traduzida por exemplo em Portugal onde dos dez cancros que têm maior mortalidade, cinco são do foro da gastrenterologia (colon e recto, estômago, fígado, pâncreas e esófago). Também nas áreas das hepatites víricas e cirrose ainda muito há a fazer, nomeadamente no campo da prevenção e diagnóstico precoce. Igualmente no campo da endoscopia digestiva, a luta pela qualidade e o direito à acessibilidade por parte dos cidadãos em condições de igualdade, são assuntos que nos preocupam e sobre os quais investiremos. Esta igualdade de acesso, nomeadamente nas terapêuticas da doença inflamatória intestinal, também está distorcida quando se compara com outros doentes com outras patologias, não dando cumprimento ao determinado pela Constituição Portuguesa. A SPG estará atenta a este desvio que importa corrigir. Por outro lado aumentar-se-á o investimento no estímulo à investigação, aos estágios, à divulgação dos trabalhos de investigação efetuados e no apoio às participações dos gastrenterologistas em congressos internacionais de reconhecido mérito onde tenham sido selecionados para apresentação de trabalhos.
O que podemos esperar para o futuro próximo da gastrenterologia, e qual o seu impacto social e científico?
A gastrenterologia tem uma importância crescente nas áreas referidas, uma vez que o seu desenvolvimento científico se traduz em última instância na aplicação junto das populações, com melhoria dos resultados na prevenção das doenças ou no seu tratamento. Por outro lado, a prevalência de muitas doenças gastrenterológicas tem vindo a aumentar nas sociedades modernas, fruto de vários fatores a que não são alheios o sedentarismo, a alimentação inadequada e a obesidade, por exemplo. Também aí, além da vertente terapêutica, a gastrenterologia terá um papel relevante cada vez maior, nomeadamente na área da prevenção e esclareciemnto das populações.
Fonte: Revista Business Portugal
A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia é uma associação científica, sem fins lucrativos e de utilidade pública. Com o propósito de promover o desenvolvimento da gastrenterologia ao serviço da população portuguesa, a SPG promove este ano um evento ligado à especialidade de forma a melhorar os cuidados prestados pelos profissionais junto dos doentes.